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JORNAL REGIONALISTA INDEPENDENTE - SAI ÀS SEXTAS-FEIRAS - DIRECTOR: João Matias - ANO LXXVI - Nº 1367 (II SÉRIE) - 4 de Julho de 2008 - € 0.90
edição nº 1396
De 23 a 29 de Janeiro de 2009


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Albufeira de Alvito liberta água para Odivelas

A barragem de Alvito está desde o dia 1 de Julho a libertar caudais para a albufeira de Odivelas, no concelho de Ferreira do Alentejo, estando a operação programada para transferir, durante 45 dias, cerca de 18 milhões de metros cúbicos de água.

A medida já tinha sido decidida há algum tempo, mas só agora foi concretizada pelo Instituto da Água (Inag), já que a albufeira de Odivelas, que serve para o regadio do perímetro do mesmo nome, onde está integrada a Infra-estrutura 12 de Alqueva, apresentava um nível de armazenamento reduzido.
No último relatório quinzenal do Programa de Acompanhamento e Mitigação dos Efeitos da Seca, referente à primeira quinzena de Junho, é referido que Odivelas apresentava menos de metade da água da sua capacidade máxima de armazenamento (que é de 103 milhões de metros cúbicos).
Por seu turno, Alvito, que serve apenas para o abastecimento público de cinco municípios, num total de cerca de 30 mil habitantes, tinha, nessa altura, perto de 88 por cento de disponibilidades de água, considerando que, à cota máxima, armazena aproximadamente 197 milhões de metros cúbicos.
A operação de libertação de caudais agora iniciada, segundo o vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo com o pelouro do Ambiente, Nuno Lecoq, visa transferir cerca de 10 milhões de metros cúbicos para Odivelas, "para reforçar a água disponível para rega", e um milhão para as captações directas no rio Sado, "para o perímetro do Vale do Sado".
Além disso, "cinco milhões de metros cúbicos vão ser transportados para regar cerca de mil hectares de olival localizados entre o perímetro de Odivelas e do Roxo, que já estavam em risco de perder-se".
Os outros dois milhões de metros cúbicos libertados de Alvito, frisou o responsável, "estão contabilizados nas perdas e infiltrações" que vão ocorrer, inevitavelmente, durante o trajecto dos caudais.
"As comportas estão abertas 30 centímetros e, como exemplo, se uma gota de água a partir de Alvito fosse monitorizada, levaria uma hora a percorrer meio quilómetro", adiantou Nuno Lecoq, para sublinhar que toda a operação "está controlada e devidamente estudada".
O vice-presidente da CCDR argumentou ainda que os impactos "só serão positivos, não negativos", porque a medida permite "dar garantias à rega em Odivelas", apesar da seca, não causando "qualquer problema a Alvito, que tem água suficiente".
 
Avaria das comportas
adiou aplicação da medida

O presidente da Associação de Beneficiários da Obra de Rega de Odivelas (Aboro), Manuel Canilhas, disse encarar com naturalidade a medida implementada: "Já estava decidida há uns meses".
"O problema é que só agora foram reparadas as comportas da barragem de Alvito, para poderem ser abertas, visto que estavam avariadas há dois anos", adiantou.
A rega, tal como até agora, disse, "vai processar-se com normalidade no perímetro de Odivelas", que compreende quase 13 mil hectares, 30 por cento dos quais com plantações de culturas de Primavera/Verão.
Já o presidente da Associação de Municípios do Alentejo Central (Amcal), Francisco Orelha, cujos concelhos são abastecidos por Alvito, frisou a importância da operação não se prolongar "durante muito tempo", para não "degradar ainda mais a qualidade da água da albufeira".
"É preciso que seja mantido um caudal contínuo para não turvar a água. A qualidade tem diminuído de ano para ano, com os focos de poluição que ainda temos na barragem (esgotos e agro-pecuária), e não queremos aumentar o problema", disse.


08/07/2005 - 11h03


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