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JORNAL REGIONALISTA INDEPENDENTE - SAI ÀS SEXTAS-FEIRAS - DIRECTOR: João Matias - ANO LXXVI - Nº 1367 (II SÉRIE) - 4 de Julho de 2008 - € 0.90
edição nº 1396
De 23 a 29 de Janeiro de 2009


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Baixo Alentejo quer apostar no golfe

Presidente da Região de Turismo da Planície Dourada defende aposta no golfe como complemento ao turismo cultural e em articulação com o florescimento da construção.

Para Vítor Silva, presidente da Região de Turismo da Planície Dourada, o golfe deve ser encarado como aposta turística de futuro. "O nosso turismo é muito baseado no turismo cultural, patrimonial, gastronómico e ambiental. São estes os produtos que constituem a coluna vertebral da nossa oferta turística. No entanto, temos de estar atentos ao futuro e a novos produtos que tenhamos potencialidades para desenvolver e, sem dúvida, o golfe é um deles". O Alentejo representa apenas dois por cento da oferta nacional do sector, o que equivale a um campo de golfe, situado no Norte Alentejano, contra os 42 por cento (30 campos de golfe) situados no Algarve. Um equilíbrio de forças que, defende o responsável, pode vir a ser mais harmonioso.
Portugal é um país "extraordinário" para a prática do golfe, diz Vítor Silva recordando que outras regiões que tradicionalmente não tinham essa prática, como o Oeste, Lisboa ou até mesmo Évora, estão a perceber as "potencialidades climatéricas que permitem que desenvolvamos esse produto". "Nós até temos melhores condições", afirma, fazendo referência à necessidade de articular o produto golfe com o aeroporto de Beja.
De acordo com Vítor Silva, há condições neste momento "para pensar no produto para o Alentejo e esse facto nada tem a ver com a barragem de Alqueva". A questão dos campos de golfe em Alqueva tem sido largamente debatida, e, este ano, com a seca que a região e o país atravessam, a utilização da água e a rega dos campos de golfe voltou a estar na ordem do dia. O presidente da RTPD salienta que "nunca seria a favor de um produto que desviasse água do abastecimento às populações e da agricultura para beneficiar os campos de golfe" e que não vê Alqueva "como um fornecedor de água para os campos de golfe", destacando que, hoje, a tecnologia de rega dos campos de golfe utiliza águas residuais das estações de tratamento, mas o certo é que a água reciclada apenas é utilizada num único campo de golfe, quando em Portugal existem mais de 50.
Segundo Vítor Silva e, apesar de Alqueva não constituir a única zona com condições para receber campos de golfe, "é importante porque vai atrair investimento e, tendencialmente, vai concentrar um maior número de turistas". A localização dos campos de golfe deve ser estudada e a eles devem ser associados outros projectos, tais como, defende, o aeroporto de Beja e infra-estruturas imobiliárias. Para o responsável "também não faz sentido construir um só campo de golfe. É necessário construir logo dois ou três, porque os jogadores gostam de saltar de um campo para o outro e eles têm de estar relativamente próximos e com um aeroporto a funcionar".
De acordo com o Instituto de Comércio Externo de Portugal (ICEP), o "produto" golfe só é considerado quando temos "um núcleo turístico com oferta de hotéis, restauração e animação, com cerca de três a cinco campos de golfe num raio de 50 quilómetros. Temos assim um produto que integra sim o green fee, mas também serviços de transporte aéreo, rent-a-car, alojamento, restauração e animação".
O "produto" golfe no Alentejo tem ainda um longo caminho a percorrer e atravessa "um certo preconceito ideológico que considera o golfe como um desporto para ricos", observa o responsável. No desbravar desse caminho, garante Vítor Silva, "existem vários projectos e alguns já deram entrada nas autarquias para pedir pareceres prévios". Quanto à sua localização, adianta, "dois deles nem têm nada a ver com Alqueva".

Aproveitar as águas residuais
De um modo geral, as necessidades de água para a rega de um campo de golfe com 18 buracos, no sul de Portugal, ascendem de 200 a 250 mil metros cúbicos/ano, com valores de ponta mensais que, nos meses de Julho e Agosto, podem variar entre os 55 e os 60 mil metros cúbicos/mês. A maioria dos campos utiliza sistemas computadorizados de rega que não permitem o desperdício, mas o aproveitamento de água reciclada para a rega dos campos tem de ser, num futuro próximo, uma prática obrigatória, defende a Federação Portuguesa de Golfe (em algumas zonas dos Estados Unidos, como na Califórnia, onde a escassez de água assume proporções preocupantes, a reutilização de águas residuais é um requisito essencial para a construção de campos de golfe). Actualmente, apenas um campo de golfe, nos Salgados (Algarve), está a utilizar água tratada nas ETARs para rega. Susana Silva, do núcleo de ecologia da Federação de Golfe, defende que esta tem de ser a tecnologia a seguir nos campos que vierem a ser construídos de raiz, relembrando a "forte especulação aí em Beja com Alqueva".
Custos muito acrescidos e o facto de muitas ETAR municipais ainda não estarem preparadas para fazer o sistema de tratamento da água completo, que é fundamental para usar água para rega, são problemas que se levantam.
 
Texto Sandra Serra Foto José Ferrolho
 

 


08/07/2005 - 10h41


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