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O ex-ministro da Agricultura Armando Sevinate Pinto considera que tem existido uma "falta de sensibilidade muito grande por parte de muita gente" no tratamento da questão da seca severa que afecta todo o território nacional em geral e o Baixo Alentejo em particular. "Tem havido uma grande falta de sensibilidade. Foi preciso agora no Instituto Nacional de Estatística aparecerem os valores a mostrar que os produções de cereais são de 20 e 30 por cento, e às vezes de zero por cento, para as pessoas começarem a pensar no assunto", sublinhou o antigo ministro no Governo liderado por Durão Barroso no final de um colóquio, em que participou como orador, sobre a reforma da Política Agrícola Comum realizado em Ferreira do Alentejo, no dia 1, no âmbito da VIII Feira Nacional da Água e do Regadio.
Embora não queira fazer deste problema "uma questão de natureza partidária", Sevinate Pinto baseia-se no conhecimento pessoal que tem dos problemas do Baixo Alentejo para afirmar, "com muita franqueza", que a "zona vive numa situação muito mais crítica que todo o resto do País".
Por isso, e confrontado com o facto de o Governo português ainda não ter declarado o estado de calamidade pública conforme as associações de agricultores têm vindo a reclamar, Sevinate Pinto mostra-se cauteloso por não ser Governo e não estar na posse de todos os dados. Ainda assim, não consegue evitar algumas críticas relativamente à acção do actual ministro da Agricultura, Jaime Silva, tomando por exemplo situações semelhantes com que se deparou durante a sua experiência ministerial.
"Dizem que o Fundo de Calamidade não tem dinheiro. Não tem dinheiro, mas nós não estamos falidos. Quando foram os incêndios florestais, que eu lamento profundamente, em 48 horas os agricultores recebiam o dinheiro pelo gado que ia morrer à fome por não ter pastagem. Em 48 horas! E não estávamos melhor antigamente do que estamos agora", recordou, concluindo em tom interrogatório: "Estas linhas de crédito custam o quê? Custam globalmente cinco milhões de euros? Talvez não custem isso..." 
08/07/2005 - 10h38