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A resposta

Nem sempre são boas, as res-postas. Muitas vezes deixam a desejar, ficam aquém do devido, sabem a pouco. Outras vezes, pior ainda, correspondem ao contrário daquilo que deviam, premeiam a mentira, a injustiça, a demagogia. Mas também é verdade que muitas vezes elas correspondem, quase integralmente, áquilo que era justo e merecido.
No passado dia 9 de Outubro, cerca das oito horas da noite, quando começaram a cair os primeiros resultados das eleições autárquicas, começou a perceber-se qual era a resposta que, no concelho de Beja, as populações haviam entendido dar aos vários protagonistas desta campanha eleitoral. Francisco Santos era o novo presidente da câmara de Beja, a mais de mil e quatrocentos votos de distância do PS. Francisco Pardal o novo presidente da junta de freguesia das Neves. Álvaro Nobre o novo presidente da junta de freguesia da Cabeça Gorda, numa que foi das mais saborosas vitórias da noite. Em Beringel, Francisco Lança via aumentar, de três para mais de 200 votos, a distância que separava a CDU do PS. Por todo o lado a CDU reforçava as suas posições.
A ensombrar uma noite feliz, só chegou a notícia de que um dos mais prestigiados autarcas do concelho era substituído, por escassa margem, na junta de freguesia do Salvador. Foi, injustamente, a excepção que fugiu à regra.
Mas a resposta estava dada.
Foi a resposta adequada à arrogância e sobranceria com que a candidatura do PS tratou os seus pares na corrida à presidência da Câmara Municipal de Beja.
Foi a resposta adequada à forma como se tentaram utilizar ataques pessoais e juízos de valor, sem qualquer fundamento, como arma de arremesso político.
Foi a resposta adequada às considerações, negativistas e miserabilistas, feitas por candidatos do PS, quanto ao valor e ao prestígio da cidade de Beja no contexto regional e nacional. Lembra-se o leitor daquela cidade que "tinha andado para traz", que "estava parada no tempo" e que era profundamente "infeliz"? É normal que não se lembre, porque essa cidade só existiu nas mentes da candidatura do PS. Levaram toda a campanha a falar de uma cidade que, feliz e reconhecidamente, não existe!
Foi a resposta adequada, ainda, à campanha que alguém baptizou como a "rota da má língua", paradigmaticamente traduzida no primeiro "jornal" de campanha da candidatura de Carlos Figueiredo. Um jornal onde o "repórter" fotográfico se deu ao luxo de dispensar atenções especiais a pormenores escatológicos do Jardim do Bacalhau e onde conseguiram ofender, de forma inqualificável, a inteligência de todos os bejenses. Em particular a dos moradores de Boavista, Salvada e Cabeça Gorda.
Mas foi mais do que isso.
Foi uma resposta clara a todos os difamadores oficiais daquilo que foi a intervenção do Programa Polis em Beja.
Foi uma resposta clara a todos os detractores daquilo que foi a acção e a intervenção da Câmara Municipal de Beja nos domínios da cultura, do desporto, do urbanismo e do ambiente.
Foi uma resposta clara aos que não tiveram escrúpulos de utilizar alguns dos mais importantes meios de comunicação social da cidade ao serviço da campanha do Partido Socialista.
Foi a resposta merecida a alguns "fazedores de opinião" que, regularmente, opinam sobre tudo o que vier à rede, sempre tendo na mira a acção dos homens e mulheres que, no nosso concelho, dão a cara pelo projecto transformador dos comunistas portugueses no Poder Local democrático.
Há duas semanas atrás, nesta rubrica que assino no "DA", dizia que os dois sentimentos que me assaltavam, na véspera das eleições autárquicas, eram os da serenidade e da confiança. Propositadamente e para não parecer pretensioso, omiti um argumento a favor da confiança que sentia. O da profunda confiança no povo do meu concelho, na sua capacidade de reconhecer o trabalho feito e no seu discernimento para identificar a demagogia nas suas formas mais básicas.
Foi uma boa resposta numa noite inesquecível. Para todos.

autor Vítor Silva
21/10/2005 - 11h09


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